Uma perda e um recomeço
O som das portas do elevador se fechando ecoou no corredor silencioso, como um sinal de algo irreparável. No entanto, Matteo não se mexeu. Ele não sabia o que fazer, não sabia o que pensar. Só sabia que a distância entre ele e Letícia, naquele momento, era maior do que qualquer coisa que ele já tivesse enfrentado.
Afinal, ele havia esperado, por tanto tempo, que aquela conversa fosse diferente. Que ela o entendesse. Que ela visse que ele sempre tentou, mesmo que de uma forma torta e egoísta, manter tudo — ela, o casamento, a empresa — funcionando. Mas ela estava certa. Ele sempre escolhia tudo e todos, menos ela.
Matteo passou a mão pelo rosto, frustrado. Sentiu o peso da vergonha apertar sua garganta. Era a primeira vez que ele sentia que tinha realmente perdido. Não uma oportunidade, não uma situação. Mas ela. Letícia. E ele sabia que, dessa vez, não havia mais o que fazer. Não havia mais o que consertar. Ela já o havia deixado para trás.
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Do outro lado da porta do elevador, Letícia sentiu o coração batendo descompassado, mas não permitiu que a fraqueza a dominasse. Ela estava mais forte e decidida do que nunca. Cada palavra trocada com Matteo parecia ter rasgado um pedaço do que restava daquela mulher que um dia se permitiu ser submissa, que vivia para agradá-lo.
Ela olhou para as mãos, trêmulas, e as apertou contra o peito, tentando conter a maré de emoções. Ele não entendia, nunca entendia. E ela se deu conta de que isso já não importava mais.
Quando as portas do elevador se abriram, ela saiu com a cabeça erguida, sem olhar para trás. Não se daria ao luxo de olhar, de se questionar se ele estava lá, se estava tentando alcançá-la. Ela sabia que, se olhasse, veria exatamente o que não queria ver — o homem que, por tanto tempo, foi tudo para ela, mas que a ignorou até o ponto de não reconhecer suas próprias dores.
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Matteo não se mexeu. Não soube o que fazer enquanto o elevador sumia no andar de cima. Ele estava confuso, perdido, e, de repente, ele percebeu; não era só ela quem estava indo embora. Ele também estava.
Olhou para o seu celular, mas percebeu que não tinha para quem ligar. Nos anos em que ele se dedicou inteiramente a empresa, ele se afastara de amigos de infancia, de parentes e, agora se dava conta, até mesmo da esposa que sempre esteve ao seu lado.
Agora ela não estava mais. Ela havia partido, como uma folha que se desprende da árvore e é carregada pelo vento para longe.
Ele não tinha ninguém, pois a única pessoa que permanecera ao seu lado, agora também havia o deixado.
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O silêncio do apartamento novo de Letícia parecia mais pesado do que nunca. Ela entrou no quarto e olhou para o espelho. O reflexo era o de uma mulher quebrada, mas que se recompunha a cada passo novo que dava. Ela não estava mais naquela relação, não estava mais naquela vida. Ela era uma mulher nova, ou, ao menos, se forçava a ser.
Sentou-se na cama, fechando os olhos, e, pela primeira vez em muito tempo, deixou que a dor saísse, sem tentar controlá-la. Lágrimas silenciosas, mas necessárias.
Era como se o peso de todo o sofrimento acumulado nos anos de casamento estivesse sendo drenado lentamente, como quem suga um veneno. Não de uma vez, mas aos poucos, enquanto ela entendia, finalmente, que só assim conseguiria seguir em frente.
E, quando as lágrimas finalmente secaram, ela teve certeza de uma coisa: ela estava livre.
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