O Envelope Esquecido e o Segredo da Valença Corp
A manhã começava como qualquer outra na Valença Corp. Matteo Valença caminhava pelo saguão principal, impecável em seu terno azul-marinho. Cumprimentava os funcionários com um aceno automático, a mente já mergulhada nas reuniões e na imagem de CEO herdeiro perfeito — a mesma imagem que as manchetes tentavam destruir desde a noite anterior.
Uma parte dele ainda sentia uma culpa discreta pelos rumores sobre sua esposa, Letícia Valença, mas o orgulho — e o ego — o faziam acreditar que tudo não passava de fofoca exagerada.
Quando entrou em sua sala, Isadora Farias já o esperava, sorridente, equilibrando uma pilha de documentos.
— Bom dia, senhor.
Matteo apenas acenou. O humor ácido voltara, e sem o álcool da noite anterior para suavizar suas reações, ele parecia uma muralha. O sorriso de Isadora vacilou, mas logo se recompôs.
Ela pousou uma pilha de papéis sobre a mesa de vidro e, por cima, colocou um envelope pardo, pesado, com o timbre de um escritório de advocacia.
— Isso chegou hoje cedo — avisou, mantendo o sorriso impecável.
Matteo pegou o envelope, girando-o entre os dedos. Sua testa se franziu, mas logo relaxou.
— O que é isso? — murmurou, distraído.
— Não abri, claro. — Isadora deu de ombros, inclinando-se levemente sobre a mesa. O perfume dela preenchia o ar, enjoativo e adocicado. — Mas antes que o senhor veja, queria mostrar as projeções para a campanha de expansão.
Matteo suspirou, largando o envelope sem abri-lo. O papel repousava sobre o tampo de vidro — discreto, inofensivo — mas carregava dentro de si a queda de um império.
Isadora virou o notebook, animada.
— Montei duas versões da campanha, mas a segunda é mais ousada.
Matteo se inclinou, analisando.
— Hm… ousada, mas inteligente.
O sorriso dela se ampliou com a aprovação.
Enquanto isso, o envelope esquecido continuava ali — silencioso, esperando o momento de revelar o golpe que Matteo jamais veria chegar.

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