O arrependimento amargo do CEO
Matteo saiu do prédio de Letícia em um estupor. Naquele momento, ele pensou em voltar para casa. No entanto, logo se lembrou de que a mansão estaria vazia e opaca sem a presença dela para iluminá-la. Dessa forma, aquela ideia o sufocou mais do que o silêncio que ainda ecoava nos ouvidos.
No fim, sem direção, decidiu voltar para o único lugar onde ainda acreditava ter algum controle: a empresa.
O prédio da Valença Corp. erguia-se imponente contra o céu escuro, frio e impessoal, exatamente como seu CEO. As luzes dos andares superiores ainda estavam acesas, mas, pela primeira vez, aquela visão não lhe trouxe segurança. Apenas a lembrança cruel de quantas noites ele escolhera ficar ali, acreditando que estava fazendo o necessário, quando na verdade estava se afastando do que mais importava.
O segurança o cumprimentou com respeito, mas Matteo mal respondeu. Subiu direto para o último andar, ignorando o elevador panorâmico que antes tanto lhe agradava. Agora, não queria ver a cidade aos seus pés. Não queria se sentir acima de nada.
No escritório, o silêncio era absoluto. A mesa impecavelmente organizada parecia zombar dele. Não havia nenhuma xícara esquecida, nenhum bilhete deixado por Letícia perguntando se ele chegaria tarde. Apenas o vazio, tal como ele se sentia por dentro.
Ele afrouxou a gravata, se serviu de uma dose dupla de seu uisque favorito e, por fim, caminhou até a janela. A cidade estava iluminada e barulhenta como sempre. Mas, naquela noite, tudo parecia distante demais, como se ele estivesse separado do mundo por um vidro grosso e invisível.
Matteo levou o copo aos lábios e engoliu o uísque de uma vez, sentindo a bebida descer rasgando pela garganta sem aliviar o peso no peito. Apoiado no vidro da janela, deixou que a memória o traísse. Letícia surgia em pensamentos que ele nunca convidara: sentada no sofá com um livro no colo, o esperando voltar de uma reunião tarde; as inúmeras ligações que ele ignorara, inclusive há poucos dias.
— Droga… — murmurou, passando a mão pelos cabelos.
O celular vibrou sobre a mesa, rompendo o silêncio, e ele se virou rapidaemnte, o coração dando um salto idiota, quase esperançoso. Contudo, o nome na tela não era o dela.
Isadora.
Matteo franziu o cenho. Por um instante, pensou em ignorar. Não sentia o mínimo de vontade de falar com a assistente que, agora que ele ouviu as acusações de Letícia, era grudenta demais.
O aparelho continuou vibrando, insistente, como se exigisse atenção, o que apenas o irritou.
Desde quando ela se sentia no direito de ligar a essa hora? pensou.
Com um suspiro pesado, ele cancelou a chamada e deixou o aparelho sobre a mesa, com a tela virada para baixo.
Então, a tela voltou a acender, não com uma ligação, mas com uma notificação. Matteo hesitou antes de virar o aparelho. Quando leu a manchete que surgia no visor, sentiu o sangue gelar.
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