A armação que muda tudo: a verdade por trás do escândalo que separou Matteo e Letícia
— E por que diabos fariam isso?
Henrique respondeu sem rodeios:
— Porque alguém quer destruí-la. E, consequentemente… destruí-lo.
O silêncio que se seguiu pesou como chumbo. Por um instante, Matteo levou a mão à testa. Imediatamente, cada palavra que Letícia havia dito naquela noite voltou à sua mente — como lâminas afiadas.
Ela armou tudo.
Eu vi o teatrinho dela se desenrolar.
Eu não vou me calar para te proteger.
Matteo cerrou os punhos. Desta vez, não havia dúvida em sua voz:
— Henrique… descubra quem está por trás disso. — Sua voz saiu baixa, perigosa. — Eu não quero boatos. Não quero teorias. Quero nomes.
— Sim, senhor. Mas… há algo mais que o senhor precisa ver — Henrique hesitou novamente. — Enviarei para o seu e-mail pessoal. Recomendo que veja agora.
A ligação caiu. Em seguida, o silêncio voltou ao escritório, ainda mais pesado.
Matteo caminhou até a mesa, abriu o notebook e acessou sua caixa de entrada. Curiosamente, havia apenas um e-mail aguardando.
Sem assunto.
Sem remetente identificado.
Apenas um arquivo anexado.
Uma pasta compactada.
Ele clicou.
Enquanto a barra de carregamento avançava lentamente, Matteo tamborilou os dedos na mesa, a mandíbula tensa. Quando, enfim, terminou, o que encontrou fez seu estômago afundar.
Dentro da pasta, havia vídeos. Muitos.
Ele abriu o primeiro.
As imagens mostravam o café à beira-mar — o mesmo cenário do confronto. No entanto, agora o ângulo era amplo, contínuo, sem cortes oportunistas ou edição maliciosa. Letícia estava sentada sozinha. Minutos depois, Isadora surgia em cena, aproximando-se com passos calculados.
Não havia áudio, mas os gestos diziam tudo: a provocação sutil, o sorriso ensaiado, o instante exato em que Isadora olhava para o lado… e, logo em seguida, começava a chorar.
Matteo sentiu o estômago afundar.
Ele abriu outro vídeo.
O restaurante chique. Letícia novamente. Sozinha à mesa. O garçom se aproximava, deixava o cardápio, trocava algumas palavras rápidas e se afastava. Em nenhum momento havia homem algum sentado com ela. Nenhuma proximidade suspeita. Nenhum sorriso íntimo.
O terceiro arquivo, porém, fez o sangue de Matteo ferver.
Isadora aparecia em um corredor discreto da Valença Corp., falando ao telefone. A imagem estava tremida, contudo, a voz era cristalina:
— …não importa o ângulo. Corta quando ela sorrir. Depois a gente insere alguém. O importante é parecer real.
Matteo fechou o notebook com força. O impacto ecoou pelo escritório vazio.
O choque, então, deu lugar a algo mais perigoso.
Raiva.
Uma raiva fria, calculada — diferente de tudo o que sentira antes. Ele apoiou as mãos na mesa e respirou fundo. Finalmente, cada peça começava a se encaixar com clareza cruel: a insistência de Isadora, o teatro no café, as ligações fora de hora, a rapidez com que a mídia recebera o material.
— Você passou dos limites — murmurou.
Matteo pegou o celular novamente. Agora, sem hesitação.
Encontrou o nome que procurava.
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