A reviravolta
O nome brilhava na tela como um desafio.
Isadora.
O polegar de Matteo pairou sobre o botão de chamada por um segundo. O CEO da Valença Corp. estava acostumado a agir sem hesitação, mas daquela vez não ligou. Em vez disso, deslizou o contato para baixo e selecionou outro número.
— Jurídico. Sala de reunião principal. Agora. — A voz saiu firme, autoritária, como a de um homem que comandava impérios.
Em seguida, enviou uma única mensagem para Henrique:
Traga tudo. Cópias, metadados, origem do IP, contrato da produtora.
Quero rastros. Todos.
Ele se recostou na cadeira de couro, os olhos fixos na parede de vidro que revelava a cidade aos seus pés. Durante dias, o CEO acreditara ter sido traído. Deixara que o orgulho falasse mais alto que a razão.
E Letícia havia dito, com todas as letras:
Eu não vou me calar para te proteger.
Matteo fechou os olhos por um instante.
Ela estava tentando avisá-lo.
A armação que muda tudo não era apenas um escândalo midiático — era um ataque direto ao seu império, à sua reputação e ao seu casamento.
Do outro lado da cidade: o silêncio antes da guerra
Enquanto isso, Letícia dobrava cuidadosamente as últimas roupas no novo closet. O apartamento era grande demais. Silencioso demais. Ainda assim, preferia aquela quietude às brigas frias e à indiferença que aprendera a suportar.
O celular vibrou sobre a mesa.
Número desconhecido.
Ela hesitou antes de atender.
— Alô?
Do outro lado, apenas respiração.
Então, uma voz feminina, suave demais.
— Espero que esteja orgulhosa.
O corpo de Letícia enrijeceu.
— Quem é?
Uma pequena risada atravessou a linha.
— Você realmente achou que poderia competir comigo?
O sangue gelou em suas veias.
— Isadora.
— Não seja dramática, Letícia. Você perdeu porque nunca pertenceu àquele mundo. Matteo precisava de alguém à altura dele. Não de alguém que chorasse em hospitais e implorasse por amor.
Cada palavra era uma lâmina invisível.
Letícia fechou os olhos. No entanto, sua voz saiu firme:
— Você manipulou tudo.
— Manipulei? — Isadora soltou uma gargalhada leve. — Eu apenas mostrei o que precisava ser visto.
— Você forjou os vídeos.
— Cuidado com o que acusa. Pode acabar pior do que já está.
A ligação foi encerrada.
Letícia permaneceu imóvel, o telefone ainda junto ao ouvido. Ela não tinha influência corporativa ou o poder de um CEO.
Mas agora tinha algo igualmente perigoso:
Recursos e determinação.
Se aquilo tudo havia sido pensado para destruí-la, então ela faria da própria queda o início da guerra. Era hora de sua reviravolta.
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